domingo, 31 de março de 2013

Morbid Visions e Campo de Extermínio - vinil picture

A Cogumelo Records, de Belo Horizonte, é proprietária de um dos catálogos de heavy metal mais valiosos, mundialmente falando, dos anos oitenta. Seguindo tendência que nasceu com gravadoras estrangeiras, aos poucos a Cogumelo também vai lançando alguns de seus títulos mais emblemáticos em edições limitadas no formato picture vinil. O INRI e o Rotting, ambos do Sarcófago, o Schizophrenia, do Sepultura, e o Immortal Force, do Mutilator, já tinham sido anteriormente disponibilizados. Agora é a vez do Morbid Visions, primeiro full lenght do Sepultura, e do Campo de Extermínio, debut do Holocausto. Embora as edições não sejam tão caprichadas, por exemplo, quanto os recentes lançamentos da NWN, dos EUA, ou da Iron Bonehead, da Alemanha, ainda assim são bem bacanas. Os pictures estão bem impressos, em frente e verso, seguindo escrupulosamente a arte gráfica dos vinis originais:







Acompanham os discos um pôster com a reprodução ampliada das capas. O site da Mutilation (parceira da Cogumelo nesses relançamentos) anuncia que, na seqüência, será disponibilizado o picture da clássica coletânea Warfare Noise 1 (com Chakal, Sarcófago, Holocausto e Mutilator). Da última vez que estive na loja da Cogumelo, em Belo Horizonte, o João (proprietário) me disse que eles também estão trabalhando numa compilação que contará com todas as demos do Sarcófago - mas não sei se será ou não em picture. O lançamento oficial dessa coletânea de demos é desejo antigo de colecionadores e significará o fim dos bootlegs meia-boca do Sarcófago que hoje inundam o mercado.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Relançamentos em vinil - The Crypt

Bom, agora vou mudar a pauta e falar um pouco de relançamentos em vinil.
Não é segredo para ninguém que, logo após a popularização dos cds, o velho vinil foi quase completamente abandonado. Demorou certo tempo para que a maioria dos colecionadores percebesse que o cd, em certos aspectos, ficava devendo em relação à antiga bolachona. Afinal uma capa menor significa menos espaço para a arte gráfica, assim como uma compressão sonora maior significa menos espaço para as ondas médias. Por essas e por outras razões o vinil foi ressuscitado, ainda que seu público esteja hoje limitado quase inteiramente a colecionadores die-hard. No metal a onda do vinil atingiu pesadamente os lançamentos de antologias: compilações de material de bandas dos anos oitenta ou início dos noventa (principalmente) que incluem seus eventuais discos de estúdio, eps, demos, ensaios e faixas ao vivo, em versões boxset duplas, triplas, quádruplas (o céu é o limite) em vinil. Algumas dessas edições são impressionantes, consistindo em verdadeiros livros, grossos e com lombadas. Muitas são as gravadoras underground que exploram esse nicho, normalmente comandadas, elas mesmas, por fanáticos metalheads colecionadores. Uma das mais legais a surgir por aí foi a americana The Crypt. Seus lançamentos são super-caprichados, contendo capas duplas/gatefolded, vinis coloridos, encartes detalhados, pôster, etc. Um tesão para o colecionador! Os preços, claro, são bem mais salgados do que o de um cd comum. Contudo, o que mata mesmo, para o comprador brasileiro, é o frete, que faz o vinil dobrar de preço. A alternativa é adquirir o vinil, quando possível, em uma grande loja on-line e aproveitar para fazer um pedido maior, porque aí o custo relativo do frete tende a cair. Recentemente fiz uma compra em pre-order na The Crypt. Garanti minha cópia em versão quádrupla da discografia do Nuclear Death dos EUA (uma das bandas mais toscas já vomitadas pelo underground death metal americano do começo dos anos noventa). Olhem só a qualidade do lançamento:




PS. Escolhi a versão com o vinil na cor verde, isto é, nesse azul desbotado aí acima. Há ainda disponível as versões na cor amarela e no tradicional black wax. Sei de colecionadores (ainda mais compulsivos do que eu) que compram todas elas.

domingo, 24 de março de 2013

Skullhog "The Evil Dead"

A lista de bandas de metal explicitamente influenciadas por filmes sanguinolentos de horror é extensa. Mortician, Impetigo, Gruesome Stuff Relish, Necrophagia, Blood Freak são nomes que vêm fácil à cabeça. O holandês Skullhog é uma das últimas adições à lista. Não que os caras sejam novos na cena. Sob o nome Bile já militavam no underground metálico há tempos, tendo gravado, inclusive, um disco conceitual (Camp Blood) sobre a saga Sexta-Feira 13. Agora, o filme homenageado é o clássico The Evil Dead. Mas não foi somente o filme tema que mudou. O som do Skullhog, embora conserve similaridades, é diferente do som do antigo Bile. Enquanto este atacava de splatter old school com muitas partes cadenciadas e meio-tempo, o Skullhog é menos hermético, mesclando influências tanto do splatter quanto do death metal clássico. Em certos momentos, soa como um Autopsy do Mental Funeral mais estruturado em cima do splatter. As guitarras (afinadas muito abaixo do convencional, como é praxe no estilo) despejam riffs absurdamente pesados e cheios de camadas, que envolvem a música num clima de distorção abissal. O baixo podrão mas bem discernível também chama a atenção. Num momento ou noutro irrompe um groove imundo meio grind 'n' roll, como na fixa título The Evil Dead, que vai na linha do que o Pungent Stench fez no Been Caught Buttering e do que o Mucupurulent, da Alemanha, costumava fazer no início da carreira. Contudo, esses momentos são breves. A proposta do álbum, sem dúvida, é investir no peso fúnebre. Até por isso, não há passagens grind, abundando as doom. Pena que o disco tenha apenas vinte e dois minutos. Dada a qualidade da música, não seria nada demais ter-se dobrado seu tempo de duração. Justa homenagem de uma excelente banda para um excelente filme.


The Evil Dead - o disco


The Evil Dead - o filme

sexta-feira, 22 de março de 2013

Infernal Curse "Awakening of the Damned"

A Argentina tem uma história muito modesta no cenário metal. Poucas são as bandas portenhas que conseguiram registrar seu som em disco e, dessas, quase nenhuma (para não dizer nenhuma) alcançou reconhecimento fora do seu próprio país. Por isso, fiquei surpreso ao deparar com o cd desse excelente Infernal Curse, lançado pela gravadora de black metal grega Kill Yourself Productions. Uma rápida olhada no encarte e matei a charada. O Infernal Curse é a nova banda de Eric Lancon, editor do zine Baphometal, a mais underground, radical e tosca publicação de metal extremo que conheço. Assim como o zine, a banda do Lancon (vulgo Nocturnal Death Metal Warrior, Nocturnal Profaner) reza pela cartilha do que de mais maldito o death/black metal oitentista produziu. Citações a Sarcófago (principalmente) e a Death antigo são generosas, conforme se constata nas levadas rápidas de bateria à la D.D. Crazy (batera do Sarcófago no mega-clássico INRI) e nos riffs cadenciados à la Death do Scream Bloody Gore. As semelhanças com Sarcófago não param por aí. O vocal parece uma versão mais death metal do Wagner Antichrist, enquanto os riffs acelerados poderiam ter sido tranquilamente tirados das sessões de gravação do INRI. A produção é muito boa, tendo em vista a proposta seguida pela banda: abafada e pesada, mas sem tornar tudo uma maçaroca indistinta. As partes cadenciadas (onde a influência de Death se faz mais presente) são especialmente bacanas e, apesar de simples, mostram musicalidade até certo ponto surpreendente para alguém de background tão radical quanto o Lancon. Destaco a faixa de abertura, Black Faith, na qual os elementos de speed e os mais cadenciados estão muito bem mesclados. A discografia do Infernal Curse registra, para além desse full lenght, duas demos (que já corri atrás e consegui) e dois eps (um deles ainda me falta e está na minha wish list), materiais que apresentam potencial para se tornarem rapidamente itens disputados de colecionador.
 
 
Awakening of the Damned - 80 death/black worship!

Infernal Curse
 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Demonomancy (ESP) "Supremacy through Intolerance (The Last Legacy)"

De uns anos para cá se tornou corriqueiro bandas de war black metal (e também de death old school) gravarem no antigo formato demo-tape e, posteriormente, relançarem o material dessas demos em cd. A verdade é que com a facilidade atual de gravar em digital não tem mais sentido gravar nada em tape. Trata-se puramente do famoso espírito vintage, que predomina no underground. O mesmo espírito que ainda garante sobrevida ao velho e cultuado vinil. O espanhol Demonomancy (não confundir com o homônimo italiano) enveredou por esse caminho. Temos aqui uma compilação em cd apresentando suas duas demos anteriores: Holocaustic Winds of Devastation, de 2008, e Supremacy through Intolerance (The Last Legacy), de 2009. A música é absolutamente infernal. Um war black ríspido e agudo totalmente influenciado por Conqueror, com algo de Black Witchery na rifferama das guitarras. Os vocais não são monocórdicos e se alternam entre vômitos estridentes e rosnados graves, o que confere dinamismo ao som. Vocais e guitarras, aliás, foram privilegiados na mixagem, que deixou a bateria mais escondida e o baixo (se é que existe) inaudível. A produção é confessadamente pútrida (ligeiramente mais polida na segunda demo), mas não prejudica o entendimento da música. Tudo como convém ao estilo. O Demonomancy até se aventurou a inserir partes candenciadas em seu som, o que é bem raro em se tratando de war black metal. O resultado ficou muito legal, como se vê na faixa Allegations of Immorality, Sublime Art of Accusations (uma das melhores do play), que deu à banda um elemento de personalidade. Pena que o grupo, aparentemente, tenha encerrado as atividades. A ver se no futuro seus integrantes não voltam a conjurar forças em novos empreendimentos tão alvissareiros quanto esse ótimo Demonomancy.

Supremacy through Intolerance (The Last Legacy) - compilação

O feroz duo do Demonomancy

sábado, 16 de março de 2013

Black Prophecies "Descent into Hell"

Ainda dentro do underground italiano, falo agora do mítico Black Prophecies. Com a recente enxurrada de lançamentos de compilações de demos antigas, era de se esperar que o velho material do Black Prophecies ganhasse sua edição em cd. Não deu outra. Coube à gravadora Terror from Hell trazer novamente à luz o som obscuro dos italianos.
Vale rememorar. O Black Prophecies, juntamente com bandas do quilate do Malfeitor e do Hellhouse (EUA), do Poison (Alemanha), do Mefisto (Suécia), do Crucifixion e do Beleth (Japão), e do Necrobutcher e do Necrovomit (Brasil), pertencia ao grupo de bandas "malditas" do fim dos oitenta. Bandas que levavam o black/death metal da época aos seus limites e que não conseguiram, até pelo seu radicalismo, sair da fase de demos.
Nessa compilação temos as três demos da banda - Azathoth, de 87, Unholy Rehearsal, de 88, e Turning the Crosses Towards Hell, de 91 -, além de três ensaios nunca antes lançados. A qualidade da gravação é horrível. E "horrível", aqui, não significa gravação suja e underground, que acaba sendo ponto positivo ao invés de negativo. Não, significa gravação abafada, guitarras esmaecidas, bateria escondida e vocal quase inaudível. Uma pena, porque o material apresentado, principalmente na demo Azathoth, é muito interessante. Uma mistura primitiva, soturna e orignal de black/speed/doom/death metal. Imagine o rebento grotesco parido da cruza blasfema de Hellhammer com Bathory (antigo) sendo acalentado no berço pela lenda americana do black/doom Goatlord. A música é por aí e segue, quase sempre, a mesma estrutura: começa com um riff cadenciado para acelerar num speed algo caótico (e cheio de trêmolo) e encerrar novamente num doom. A melhor faixa é The Keys of Satan's Kingdom, presente nas demos de 88 e 89, que conta com um riff de abertura simples e memorável. Consta do encarte do cd que os caras iriam gravar seu disco de estréia pela famosa gravadora underground americana (famosa principalmente pelos consabidos calotes que aplicou nos músicos com os quais assinou na época) Wild Rags. Até o título já estava escolhido: Abominations from the Abyss. Pena que não rolou. Teria sido muito interessante ver o que a banda poderia alcançar com condições de gravação um pouco melhores. De todo modo, trata-se, inegavelmente, de um pedaço relevante da história do black/doom metal oitentista.

Descent into Hell - compilação

O visual nada radical do radical Black Prophecies

quinta-feira, 14 de março de 2013

Excidium "Infecting the Graves Vol. 1"

Durante os anos oitenta quase não se ouvia falar da Itália em matéria de heavy metal (ao contrário do punk, gênero no qual os italianos sempre foram ativos). Tirando nomes como Bulldozer e Necrodeath, pouquíssimas bandas alcançaram reconhecimento fora do círculo de tape-traders mais dedicados. O Excidium pertencia ao grupo dos desconhecidos. A Despise the Sun Records, gravadora e distribuidora famosa por sua militância no brutal death metal, fez-nos o favor de desenterrar os italianos das areias do tempo. Nessa compilação temos duas demos e um ep.
Em Symphonies of Death, demo de 1987, o Excidium destila um excelente e mortal deaththrash, lembrando o que o brasileiro Mutilator fazia na mesma época, embora os italianos sejam menos crus e apresentem uma influência muito mais forte de Slayer (fase Reign in Blood). A faixa White Chapel 1888  se destaca, com uma parte mosheada no meio que é de levantar defunto pogando do caixão. A outra demo, Virus Tenebrarum, de 88, embora vá na mesma linha, com a adição de alguns momentos mais melódicos, não tem a mesma intensidade. Ainda assim é legal. Já no ep Infecting the Graves, lançado originalmente em 92 pela fancesa Adipocere, o Excidium limou do seu som a influência thrash e abraçou totalmente o death metal, numa veia mais cadenciada. O resultado, contudo, não agrada e talvez tenha contribuido para o fim da banda. De se lamentar que não tenham sido incluídas as demos Antropophagy, de 90, e Defunto, de 91. Um lançamento em cd duplo com esse material compelto seria muito bem-vindo, dada a evidente qualidade da banda, especialmente em sua fase deaththrash. Recomendado!


Symphonies of Death - demo 1987


Infecting the Graves Vol. 1 - compilação